Desafio de Dia dos Pais: como está a relação com seu filho?

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Desculpe, hoje eu trago realmente mais perguntas que respostas porque acredito que esse é o caminho da descoberta. Não sou eu quem tenho que dizer o que você deve fazer, mas quero fazer o papel de levá-lo para pensar sobre as situações que se apresentam. Então, pai, prepare-se porque vou continuar. Pode doer um pouquinho, mas seu filho vai te agradecer por esse momento de descoberta e possibilidade de mudança.

Vamos falar do seu filho? Esqueça as atividades que você divide – ou deveria dividir – com a mãe. Trocar a fralda, dar comida, limpar bumbum, dar banho, levar à escola e ao médico, entre tantas outras tarefas que uma criança demanda é básico e já tem muita gente falando sobre a importância de os homens assumirem esses papeis junto das mulheres. O que eu quero falar é sobre a sua presença na vida do seu filho. Você realmente conhece o seu filho? O que faz ele feliz ou triste? O que irrita sua criança? O que faz ela sentir medo ou ficar acuada? Ela é exploradora ou mais introspectiva? O que seu filho mais gosta de fazer, qual a comida preferida, o que ele detesta? Você respeita os limites do seu filho, acata os nãos que ele diz? Por fim, porém, não menos importante: como é e está sua relação com seu filho?

Para mim, no Dia dos Pais, o que temos de falar mesmo é sobre isso: das relações com nossos filhos, do quanto os homens estão conseguindo acessar suas crianças e o quanto elas têm sido tocadas pela relação com os pais. Afinal, qual é o principal exercício, tanto da paternidade quanto da maternidade, senão essa criação?

Hoje, estamos vivendo essa polaridade muito crítica que compara o pai que não faz ou não expõe que faz com aqueles que se mostram, que diziam arduamente do exercício da sua paternidade. Puxa, que lindo aquele pai que chora, que se emociona, que está com o filho o tempo todo, que foi trabalhar em casa para estar mais perto das crianças e que posta fotos fofas. Será que é tão lindo assim? O que eu quero te provocar a pensar é o quanto essa exposição da paternidade ideal não transforma as crianças em objetos a serem demonstrados, como produtos de uma paternidade eficiente.

Mas, o que seria essa paternidade eficiente? Qual o resultado disso? O que se espera com isso? Às vezes, as crianças se transformam em meros produtos, quando, na verdade, o que se deve fazer é focar muito mais na relação: olhar para essa criança e identificar genuinamente como ela está sentindo a presença do pai e da mãe, não somente no nível de execução de tarefas.

Cada vez mais, temos homens falando sobre o ter que participar. Será que isso se resume a pegar o saco de lixo e colocar para fora, trocar uma fralda, dar uma comida, levar e buscar na escola? Bom, se você queria ao menos uma resposta entre tantas perguntas, então, essa eu te dou: não, o importante e o que deve ser valorizado e cultivado é o entremeio, ou seja, o que se fala no carro enquanto leva para a escola, o brincar atento e disponível, o respeito à individualidade e aos limites da criança. Resumindo, no fim do dia, o que vale mesmo é a qualidade do vínculo que se estabelece diante daquilo que se faz com a criança.

Se não valorizarmos essa conexão teremos apenas um boom de pais levando para cá e para lá, fazendo uma série de coisa, tirando mil fotos, se organizando, porém, muitas vezes, tudo isso é um mero fazer e não há presença de fato.

Portanto, nesse Dia dos Pais, eu te convido a olhar além do que os “paizões” que se apresentam no momento pregam. Ao contrário disso, olhe para esse exercício de paternidade, para a qualidade da sua relação com seu filho. Tenha um olhar generoso tanto para o que há de positivo quanto de negativo e esteja aberto para estabelecer novos vínculos aonde não está bom e fortalecer aquilo que há de melhor.

De todo meu coração, te desejo um "Feliz Dia dos Pais"!