A importância de falar e ser ouvido!

escuta - Raquel Jandozza

Recentemente fui visitar uma gestante para falarmos sobre seu plano de parto. Durante a conversa, ela me disse o quanto é difícil as pessoas só ouvirem o outro. E emendou dizendo que as pessoas se interessam pelo que o outro fala apenas com o intuito – consciente ou não – de oferecer uma sugestão do que é melhor para cada pessoa.
Essa fala dela me tocou muito porque a verdade é que se não ouvirmos genuinamente o outro perdemos a chance de desenvolver a empatia, porque não estamos ali, junto daquela pessoa de fato.

Quando isso acontece, na verdade, estamos sozinhos pressupondo várias coisas e jogando para pessoa, muitas vezes, as nossas projeções e conteúdos, ou seja, as nossas vivências e experiências e desconsideramos, totalmente, o interlocutor. 
O que não percebemos é o quanto isso é grave e complicado, principalmente quando se dá nas relações entre marido e a mulher gestante, o profissional e a gestante, essa mãe e o bebezinho. Hoje, a empatia está parecendo um tesouro escondido e, cada vez mais, é urgente que a encontremos, para que possamos desenvolvê-la de forma eficiente.
Muitas pessoas acham que são empáticas quando, na verdade, o que elas simplesmente fazem é escutar. O ato de ouvir precisa de presença e de coragem para segurar a ferida narcísica, que arde quando nos sentimos impotentes: muitas vezes, não faz diferença o que falamos, a pessoa vai ter que passar por aquilo, sentir aquilo e, a menos que ela realmente peça opinião é que podemos falar, do contrário, precisamos aprender a nos silenciar. O silêncio respeita o tempo de aprendizado do outro.
Muitas mães se queixam do fato de não terem quem as ouça. Você já parou para pensar que talvez ela não queira um palpite, mas deseje uma boa conversa? Na gravidez, isso acontece muito. Um bom exemplo é a mulher que diz querer um parto normal. Basta que ela diga isso para que chovam informações catastróficas, evidências nada científicas, achismos e boatos, que amedrontam e assustam a gestante.
Precisamos tomar muito cuidado com o que dizemos e cuidar – ainda mais – daquilo que ouvimos, porque se a pessoa está compartilhando uma informação, uma ideia, um desejo é importante acolher isso com uma escuta empática.
Acolher é uma atividade muito genuína, sincera e dificultosa, mas que vale todo o seu esforço. Pense nisso!