Dores da vida: como você encara essa questão?

Dor e Sofrimento - Psicóloga Raquel Jandozza

Recentemente, parei para pensar sobre essa frase de Drummond. Muito dela ecoa em mim, mas a reflexão que eu gostaria de dividir com você, que me lê, é sobre a importância de encararmos a vida e as dores pertinentes a ela. 

No meu cotidiano profissional e também no dia a dia com as pessoas, tenho percebido uma constante busca do indivíduo em afastar as dores de sua vida. É como se para ser plenos precisássemos apenas ter prazer e não dor.

Será mesmo que esse é o caminho? Vamos voltar juntos à citação de Drummond: “... A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.

É importante não confundir a dor com o sofrimento. A dor é um processo, enquanto o sofrimento pode ser o resultado. A dor é um processo de transformação, de transcendência. O sofrimento, no entanto, é uma escolha, mesmo que essa escolha não seja consciente.

Para ficar mais claro, vamos pensar na dor de parto. Essa é uma das dores fisiológicas mais intensas, no entanto, a mulher vivencia a dor como sinal de que está realmente tudo indo muito bem.

Parte do meu trabalho como psicóloga e doula é ajudar a mulher a desmistificar a dor de parto. Porém, não é só da dor fisiológica que eu trato em meu trabalho. No meio do caminho, essa mesma mulher também experimenta outros tantos tipos de dores, em geral, emocionais. E é incrivelmente lindo quando, vencido o medo da dor, esse momento passa a ser compreendido como parte do processo de nascer e fazer viver. Nessa hora, a dor é acolhida, sentida e eficientemente usada para um lindo progresso de trabalho de parto.

Talvez a dor de parto não faça sentido para você. Talvez você esteja se perguntando: por que raios eu tenho que sentir dor para viver. Eu arrisco dizer que a sua dúvida seja ainda reflexo da confusão entre dor e sofrimento. Normalmente, as pessoas têm medo de seus conflitos, têm medo de não gostarem do que irão ver, têm medo de ver e não suportar mais viver naquele lugar. É isso: sair da zona de conforto é desconfortável e pode ser doloroso. Mas, no momento que essa dor é identificada, é possível encará-la de frente, compreendê-la, aceitá-la e, por fim, transformá-la. Pode ser doído, mas não precisa ser sofrido.

A vida deve mesmo ser vivida em sua plenitude e, para mim, o bem e o mal, a alegria e a tristeza, a coragem e o medo, a saúde e a doença, cabe tudo nesse "pacote" de viver, em que as "dores da vida" podem ser apenas pontes para chegarmos a lugares mais ensolarados.

E, já que eu te convidei a pensar sobre isso comigo, me conta: o que você pensa sobre a dor?